O adulto precisa crescer
“Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.” (I Cor. 13:11).
Estas são palavras conhecidíssimas e apregoadas por muitas pessoas do meio evangélico neo pentecostal , mas será que essas pessoas compreendem o significado de deixar de ser menino?
A discussão sobre a hora ideal de crescer é longínqua e perpassa vários momentos da história da humanidade. Inclusive, até pouco tempo atrás, não existia o conceito de infância tal qual conhecemos hoje. O entendimento da infância como esse etapa da vida que carece de cuidados e contato com a natureza e atenção específicas, deve muito a Jean-Jaques Rousseau, um filósofo do século XVIII.
Além de Rousseau, outro filósofo tratou de maneira um pouco mais pontual o tema subscrito, qual seja: Kant que no texto: A resposta a pergunta sobre o esclarecimento, tratou de dois conceitos caros ao entendimento sobre o crescer. Ele falou de um momento no desenvolvimento do homem que seria marcado por uma menoridade mental. Este período está associado a fase infantil, na qual o ser humano precisaria da disciplina, instrução e aos poucos uma certa liberdade para que o homem começasse a desenvolver o seu próprio pensar que no contexto da nossa conversa seria o amadurecimento.
O processo instrucional, de acordo com Kant, e a liberdade que ao homem seria conferida, permitiria a sua condução a uma outra etapa do seu desenvolvimento, a saber, a maioridade mental.
A maioridade seria uma fase na vida do homem marcada pelas suas próprias escolhas, na condução de sua própria vida. Sendo assim esse homem não mais daria ao governante, ao líder religioso nem a quem quer que fosse a condução da sua própria vida.
Parece inviável, admito o diálogo entre Kant que pregava o crescer por si mesmo, e o apóstolo Paulo, um religioso, porém,existe um ponto de encontro entre esses dois pensadores que seria, justamente, o esclarecimento, a instrução, como o fio condutor para o crescimento do homem, afim de que ele saísse da imaturidade mental e pudesse conduzir suas próprias escolhas sem ter que recorrer a terceiros. Os dois propõe ao indivíduo uma reflexão sobre a tão necessária auto-responsabilidade do adulto crescido.
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