Vida e morte de uma preta mulher
Cresce, preta, CRESCE: Tem que crescer;
Cuide, preta, CUIDE: Precisa cuidar;
Morre, preta, MORRE: Pra você,aqui, não há mais lugar;
Ela não pôde brincar, não pôde amar, não pôde transar, não pôde casar;
A preta nasceu destinada a cuidar:
A cuidar de todos esquecendo de si mesma e sobre a sua solidão: Esta percorreu toda a sua pacata vida;
Vida: silenciosa, silenciada, apagada, até que não havia mais lugar para a sua insignificante existência no mundo. Então, a preta convidada por tudo e por todos suplicou: “Senhor, me prepara e me leva! Talvez, lá na glória, seja o meu lugar.”
E sobre a solidão da mulher preta, esta percorreu toda sua existência, entre o nascer e crescer até morrer e de tanto cuidar do bem estar de todos não deu tempo de aprender que no livro que sempre se orgulhou de seguir, dizia: Ama o teu próximo como a ti mesmo;
A preta viveu a sua vida sem nunca aprender a amar-se;
E como sua mãe e suas avós: viveu e morreu a sós;
Preterimento, racismo, resignação ou apenas repetição do ciclo de abnegação, anulação, solidão...
Um ciclo quase sem fim de pretas mulheres que aprenderam a servir, mas não lhes ensinaram a cuidar de si;
Enquanto elas ocupavam vários papéis nas muitas vidas , seus corpos esvaiam sem forças, até que por fim a preta suplicou:” Senhor, me prepara e me leva!” E o senhor a escutou.
Autor: Sara Santana
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